nunca estive à margem de nada que não fosse asfalto; sempre ignorei o mar à minha volta; mesmo assim, percebo bem quando o que me cerca é sal e solidão. mesmo sem conhecer profundezas nem distâncias outras que não os passos contados da urbanidade, sinto o mundo como imensa jangada sob meus pés (e implacável maré a me envolver). nunca soube do que ocupa os tempos e espaços fora do invólucro da intimidade bem-guardada; não obstante, sei que sou tudo o que pode me mover: vela, vento, onda e remo. e sou também o povo que ficou no cais a acenar…